Embora a publicação seja de 2016, as imagens e descrições são muito bonitas. Parabéns Geovanni.
Este é o link para o e-book: ALGAS.
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segunda-feira, 5 de agosto de 2019
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Utilização da análise direta de gradientes em comunidades ficobentônicas
Este é o resumo apresentado na 5ª Reunião Brasileira de Ficologia, em Teresópolis (RJ), em 1991.
As curvas fizeram muito sucesso embora o trabalho não tenha sido muito bem entendido...
As curvas fizeram muito sucesso embora o trabalho não tenha sido muito bem entendido...
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Diversidade fomentada pelo epifitismo em Avrainvillea elliottii, uma alga em perigo de extinção
O trabalho abaixo foi apresentado no 1º Simpósio de Biologia Marinha realizado em 2003 na Universidade Federal Fluminense, que aqui disponibilizo.
domingo, 4 de novembro de 2012
EFEITO CANOPY EM UMA COMUNIDADE ASSOCIADA À Sargassum cymosum - II
EFEITO CANOPY EM UMA COMUNIDADE ASSOCIADA À
Sargassum
cymosum
sábado, 3 de novembro de 2012
EFEITO CANOPY EM UMA COMUNIDADE ASSOCIADA À Sargassum cymosum
EFEITO CANOPY EM UMA COMUNIDADE
ASSOCIADA À Sargassum cymosum
José Antonio Muniz
1989
INTRODUÇÃO
A
presença de densos bancos de Sargassum
em ambientes intermareais no sudeste brasileiro é mencionada há bastante tempo
atrás (Joly, 1965).
Embora
presentes em todos os primeiros grandes levantamentos da costa brasileira
(Joly, 1965, Yoneshigue-Braga, 1970 e Ugadim, 1973) apenas a partir do final da
década de 80 os aspectos ecológicos e quantitativos deste nicho foram estudados
(Paula, 1988; Paula & Eston,1987; Eston,1987; Paula & Oliveira
Filho,1980 e Paula & Oliveira, 1982).
O
gênero Sargassum e suas espécies
presentes em ambientes do sudeste brasileiro foram bem delimitados em Paula
(1988) assim como o comportamento e relações destas comunidades (Oliveira Filho
e Mayal, 1976; Paula e Oliveira Filho, 1980 e Oliveira Filho e Paula, 1983).
![]() |
| Figura 1 - Mapa de localização da Praia da Figueira - Angra dos Reis(RJ) |
Analisando-se
duas populações de Sargassum cymosum
C. Agardh exposta a condições diferentes de exposição às ondas mostraram
comportamento fenológico e morfológico diferenciado (Paula & Oliveira
Filho, 1980 e 1982).
A
utilização da metodologia da morfofuncionalidade do talo de algas bentônicas
(Littler & Littler, 1980) acrescentaram muitos subsídios à compreensão do
seu papel ecológico e fisiológico, reduzindo a amostragem a uma condição de
melhor entendimento das suas reais influências nos locais onde subsistem, sem perda da informação.
O
objetivo deste trabalho é comparar as comunidades de macroalgas na presença e
na ausência de Sargassum cymosum em
suas amostras, quanto a sua especificidade e pela distribuição dos seus grupos
morfofuncionais durante uma estação anual em um costão semi-protegido da Praia
da Figueira em Angra dos Reis (RJ).
MÉTODOS
Utilizando-se
de um quadrado de 50 cm de lado, subdividido em 100 quadrículas, contabilizou-se
a cobertura de quinze amostras das macroalgas existentes na região
infra-litoral de um costão semi protegido a leste da Praia da Figueira, Angra
dos Reis (RJ), em cada estação do ano durante um ciclo anual (Figuras 1 e 2).
As
amostras foram tomadas aleatoriamente, utilizando-se de um cordão numerado e de
uma tabela de números aleatórios (Kershaw & Looney, 1985).
As
amostras foram ordenadas utilizando o método da ordenação polar (Bray &
Curtis, 1957). Os valores de cada alga em cada microambiente foram tabelados
para comparação.
A
medida de similaridade utilizada foi a Distância Euclidiana com transformação
pela raiz quadrada.
Para
análise da normalidade das amostras utilizou-se o teste de Kolmogorov-Smirnov.
As
macroalgas foram classificadas em cada grupo morfofuncional em que se encontra,
conforme Littler & Littler (1980).
RESULTADOS
A. Ordenação
Polar
A ordenação polar de cada grupo de
amostra por estação do ano aponta claramente para formação de grupos
influenciados pela presença de Sargassum cymosum ou não (Figura 3).
Exceto no inverno, grupos de amostras
onde a presença de Sargassum cymosum
era pequena ocorreram entre amostra com ou sem a presença desta espécie; estas
amostras não estão incluídas na análise da distribuição e sazonalidade dos
organismos da comunidade, provavelmente foram lançadas na borda da população de
Sargassum cymosum.
A. Estrutura
da Comunidade
Os valores médios de cada espécie em
cada estação do ano e em amostras com a presença ou ausência de Sargassum
cymosum encontram-se na figura 4.
Estes valores foram transformados em um gráfico (Figura 5) onde percebemos as diferenças entre a composição
específica de cada microambiente.
![]() |
|
Figura 4 – Média aritmética dos valores de
cobertura de cada espécie em amostras com a presença de Sargassum cymosum (COM) e sem a presença de Sargassum
cymosum (SEM) em cada época do ano.
|
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|
Figura 5 – Valores de importância de cada
espécie dominante nas amostras sazonais com ou sem a presença de Sargassum
cymosum.
|
Áreas dominadas por Sargassum cymossum
apresentaram as seguintes espécies dominantes na estação da Primavera:
·
Gracilaria dominguensis
·
Padina vickersiae
·
Amphyroa brasiliense
·
Jania adhaerens
·
Gracilaria ferox
·
Acanthophora spicifera
Dominantes na estação do Verão:
·
Padina vickersiae
·
Amphyroa brasiliense
·
Asparagopsis taxiformis
·
Dictyota cervicornis
Dominantes na
estação do Outono:
·
Asparagopsis taxiformis
·
Padina vickersiae
·
Acanthophora spicifera
·
Gracilaria dominguensis
Dominantes na estação do Inverno:
·
Amphyroa brasiliense
·
Acanthophora spicifera
·
Gracilaria ferox
Comunidades sem a presença de Sargassum
cymosum apresentaram as seguintes espécies dominantes na estação da Primavera:
·
Asparagopsis taxiformis
·
Sargassum filipendula
·
Dictyota cervicornis
·
Acanthophora spicifera
·
Gracilaria ferox
·
Gracilaria dominguensis
·
Acanthophora spicifera
·
Gracilaria sjoestedtii
·
Gracilaria dominguensis
·
Heterosiphonia gibbesii
·
Gracilaria sjoestedtii
·
Asparagopsis taxiformis
Na estação do Inverno:
·
Asparagopsis taxiformis
·
Acanthophora spicifera
·
Gracilaria ferox
A. Grupos
morfofuncionais
Observando as figuras 6 e 7
podemos comparar a estrutura de cada comunidade de acordo com a presença de cada
comunidade de acordo com a presença de determinado grupo morfofuncional em cada
estação do ano.
![]() |
|
Figura 6 – Valores de importância
(cobertura) de cada grupo morfofuncional existente nas comunidades com a
presença (COM) e ausência (SEM) de Sargassum
cymosum em cada época do ano.
|
Observamos
também que o grupo das coriáceas domina em todas as estações do ano com exceção
do inverno (em ambas as amostras).
Na presença de
Sargassum cymosum, o grupo das
calcárias apresentaram maiores valores de cobertura, com exceção do outono.
As coberturas dos grupos de
folhosas e calcárias foram insignificantes em comunidades sem a presença de Sargassum cymosum, embora o grupo das
calcárias apresentarem valores significativos na presença de Sargassum cymosum,
com exceção do outono.
A cobertura do grupo das
filamentosas difere substancialmente nas duas comunidades analisadas com
exceção do outono, onde apresentaram significativas coberturas.
Analisando a figura 8 podemos observar que as
maiores diferenças entre as duas comunidades encontram-se na estação do verão;
ocorrendo diminuição na cobertura dos grupos: Ramificadas (COM), Coriáceas
(COM) e Filamentosas (SEM) e na estação do inverno na cobertura dos grupos:
Ramificadas (COM), Filamentosas (COM) e aumento no grupo das Calcárias (COM).
O
desaparecimento de uma espécie habitante de um costão rochoso propicia espaço
para outros organismos que recrutam este em um embate físico e biológico (Connell
& Slatyer, 1977; Sousa, 1984 e Dayton, 1984).
Sendo as espécies de Sargassum habitantes frequentes de
costões do sudeste brasileiro (Paula, 1978 e Eston et all, 1986), sua presença
ou não determina condições para a existência de diversas espécies que se
utilizam daquela espécie de Sargassum para suas sobrevivências (Eston, 1987).
Encontram-se espécies de
Sargassum férteis o ano todo (Paula e Eston, 1987) e já foi confirmado que a espécie
trabalhada nesta comunicação libera oosfera independente da temperatura
ambiental (Paula, 1984).
O tamanho de Sargassum cymosum
influi na própria densidade da espécie e, o ato de varrer constantemente o
substrato elimina e/ou evita o recrutamento de outras espécies (Paula, 1978),
assim como para outras espécies em ambientes não tropicais tais como Laminaria (Velimirov & Griffiths,
1979) e Cystoseira (Dayton et al,
1984).
O efeito do sombreamento também é um fator decisivo no estabelecimento de algas sob populações de Sargassum (Eston, 1987).
Ao contrário das estruturas das comunidades encontradas em populações de Sargassum stenophyllum descritas para o litoral de São Paulo (Eston, 1987), as comunidades encontradas neste estudo mostraram duas comunidades distintas, influenciadas pela presença da espécie canopy e pelas mudanças sazonais.
A utilização da metodologia dos grupos morfofuncionais (Littler & Littler, 1980) facilitaram a compreensão da estrutura e comportamento das espécies frente a cobertura da macroalga e das mudanças referentes as estações sazonais.
O efeito do sombreamento também é um fator decisivo no estabelecimento de algas sob populações de Sargassum (Eston, 1987).
Ao contrário das estruturas das comunidades encontradas em populações de Sargassum stenophyllum descritas para o litoral de São Paulo (Eston, 1987), as comunidades encontradas neste estudo mostraram duas comunidades distintas, influenciadas pela presença da espécie canopy e pelas mudanças sazonais.
A utilização da metodologia dos grupos morfofuncionais (Littler & Littler, 1980) facilitaram a compreensão da estrutura e comportamento das espécies frente a cobertura da macroalga e das mudanças referentes as estações sazonais.
REFERÊNCIAS
Bray,
J. R. and Curtis, J.T. 1957. An Ordination of the Upland Forest Communities
of Southern Wisconsin. Ecological Monographs 27:325–349. [Link]
Connell, J.H. and
Slatyer, R.O. 1977. Mechanisms of succession in natural
communities and their role in community stability and organization. Am. Nat.
111:1119-1144.
Dayton, P.K. 1984. Processes
structuring some marine communities: are they general? In Strong, Simberloff,
Abele & Thistle(ed). Ecological communities: conceptual issues and evidence.
Princeton Univ. pags.191-197.
Dayton, P.K.; Currie, V.; Gerrodette, T.; Keller, B. D.;
Rosenthal, R. and Ven Tresca, D. 1984. Patch
dynamics and stability of some California kelp communities. Ecol. Monogr.
54:253-289.
Eston, V.R.; Migotto, A.E.; Oliveira Filho, E.C.; Rodrigues, S.A. &
Freitas, J.C. 1986. Vertical distribution of benthic marine
organisms on rocky coasts of the Fernando de Noronha Archipelago. Bolm.Inst.Oceanogr.
34:37-53.
Eston,V.R. 1987. Avaliação experimental da dominância ecológica em
uma comunidade de macroalgas do infralitoral rochoso. Tese de doutoramento.
USP.
Joly, A.B. 1965. Flora
marinha do litoral norte do Estado de São Paulo e regiões circunvizinhas.
Boletim da Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade de São Paulo
294:1-393.
Kershaw, K.A.
and Looney, J.H.H. 1985. Quantitative
and dynamic plant ecology. 3ª Ed. Edward
Arnold.
Littler, M.M. and Littler, D.S.
1980. The evolution
of thallus form and survival strategies in benthic marine macroalgae: Field and
laboratory test of a functional form model. Amer.Natur. 116:25-44. [Link]
Paula, E.J. & E.C. Oliveira Filho. 1980. Aspectos
fenológicos de duas populações de Sargassum cymosum (Phaeophyta –Fucales) do
litoral de São Paulo, Brasil. Bolm. Botânica, Univ. S. Paulo. 8: 21-39.
Paula, E.J. & Oliveira Filho, E.C. 1982. Wave exposure and ecotypical differentiation in Sargassum
cymosum (Phaeophyta - Fucales). Phycologia 21:145-153.
Oliveira Filho, E.C. & Paula, E.J. 1983. Aspectos
da distribuição vertical e variação sazonal e comunidades da zona das marés em
costões rochosos do litoral norte do Estado de São Paulo. Publicações do
Instituto de Pesquisas da Marinha 147:44-71.
Oliveira Filho, E.C. & Mayal, E.M. 1976. Seasonal distribution of intertidal organisms at Ubatuba,
São Paulo (Brazil). Revista Brasileira de Biologia 36: 305-316.
Paula, E.J. 1978.
Taxonomia, aspectos biológicos e ecológicos do gênero Sargassum no litoral do Estado de São Paulo. Dissertação de
Mestrado. USP. 190pag.
Paula, E.J. 1988. O gênero Sargassum
C. Ag. (Phaeophyta - Fucales) no litoral do Estado de São Paulo, Brasil.
Boletim de Botânica 10:65-118.
Paula, E.J. & Eston, V.R. 1987. Are there
other Sargassum species potentially as invasive as S. muticum? Botanica Marina 30:405-410.
Sousa, W.P.
1984. The role of
disturbance in natural communities. Ann.Rev.Ecol.Syst.
15:353-391.
Ugadim, Y. 1973. Algas
marinhas bentônicas do litoral Sul do Estado de são Paulo e do litoral do
Estado do Paraná. II. Divisão
Phaeophyta. Port. Acta. Biol. Lisboa, 12: 69-131.
Velimirov, B.
and Griffiths, C.L. 1979. Wave induced
movement and its importance for community structure. Bot.Mar. 22:169-172.
Yoneshigue-Braga,
Y. 1970. Flora marinha bentônica da Baía de Guanabara e cercanias. II. -
Phaeophyta. Instituto de Pesquisas da Marinha, Rio de Janeiro, Publicação 45,
p.1-31.
Observações: A nomenclatura foi mantida.
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
População de Asparagopsis taxiformis em costões do sudeste brasileiro
Vejam os aspectos de uma população de Asparagopsis taxiformis no costão à leste da Praia da Figueira em Angra dos Reis (RJ).
Percebam a presença também de Caulerpa racemosa, Canistrocarpus cervicornis, Padina sp, além de diversas espécies de coloridas esponjas.
Embora o local já apresente uma certa concentração urbana, o mesmo ainda mostra uma comunidade de costão um tanto quanto preservada, mas já se faz sentir pela ausência das densas populações de Sargassum e Gracilaria, comuns em ambientes naturais desta região.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Aspectos de uma ficocomunidade epífita em Avrainvillea elliottii
Nas duas sequências abaixo estão retratadas o aspecto de uma população de Avrainvillea elliottii na Praia da Figueira, no inverno de 2012.
Quem preferir rodar no Youtube pode ir para os endereços abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=8Xm4LnudbGs
http://www.youtube.com/watch?v=M86NYe7bxps
Embora as condições da água estiveram ótimas, só conseguimos as imagens
mergulhando bem próximos do fundo, e como não estávamos com aparelhos
autônomos de mergulho, as tomadas foram todas em apnéia... e imaginem o
fôlego de alguem com 56 anos.
Quem preferir rodar no Youtube pode ir para os endereços abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=8Xm4LnudbGs
http://www.youtube.com/watch?v=M86NYe7bxps
domingo, 4 de dezembro de 2011
INFLUÊNCIA DO PORTO DE ANGRA DOS REIS NA ESTRUTURA DAS COMUNIDADES DE MACROALGAS LOCAIS: UTILIZANDO A TEORIA DO CONTINUUM EM AMBIENTES MARINHOS
Entendam que isto não é um curso
sobre Análise Direta de Gradientes utilizando-se o continuum, mas uma forma de
divulgar esta visão que é pouco usada na ecologia terrestre e nunca usada (que
eu saiba!) na ecologia marinha.
Já a utilizei em dois momentos distintos e encontrei
resultados muito bons. Ao apresentar este trabalho na 5ª Reunião Brasileira de
Ficologia todos ficaram surpresos com as curvas apresentadas no gráfico final e
pela objetividade da informação final também.
Existem três
formas dos ecólogos enxergarem uma comunidade:
1. As comunidades são unidades discretas
da vegetação, possuindo mecanismos de controles homeostáticos. Esta é a escola
de Clements-Tansley.
2. A comunidade é uma coleção de
populações que apresentam as mesmas necessidades em relação ao meio. Esta é a
escola de Gleason, e
3. Os ecólogos que consideram a
comunidade como um continuum, onde ocorre uma mudança ordenada e gradual da
comunidade ao longo de um gradiente ambiental. Esta é a escola de Wisconsin.
Quanto
ao continuum, imagine o exemplo típico de uma vegetação cobrindo uma elevação;
como demonstrada abaixo:
Observamos de imediato uma zonação que acompanha a altitude.
No entanto, podemos descrevê-la como unidades discretas se assim desejarmos:
Observamos 5 comunidades
caracterizadas pela presença de determinadas espécies e suas quantidades
(dominâncias). No entanto, se analisarmos a distribuição de cada espécie em
relação a presença em uma escala de altitude percebemos o seguinte gráfico:
Notamos que as espécies melhor se
adaptam em determinadas seções e se distribuem de acordo com a altitude.
Obviamente, a altitude é um fator na distribuição das espécies que formam este
ambiente. No entanto, este modo de conceber a comunidade mostra uma diminuição
e um aumento da população de determinada espécie sempre de forma gradual e
ordenada.
Os
dados aqui apresentados foram tirados de minha pesquisa na cidade de Angra dos
Reis (RJ) e tem os seguintes objetivos:
·
Amostrar
as comunidades ficobentônicas da região de Angra dos Reis (RJ) influenciadas
pelo Porto da cidade.
·
Utilizando
o método do continuum, produzir um gráfico mostrando esta influência.
AMOSTRAGEM
a. Pontos de Coleta: 3 Estações de
coleta de dados a partir da distância do Porto de Angra dos Reis (RJ). As estações serão aqui denominadas
Porto, Contorno (2 km do Porto) e Figueira (7 km do Porto).
b. Amostra: Quadrado de 40x40 cm com 100
malhas internas.
c. Total de quadrados analisados: 15
quadrados por estação.
d. Valor de cobertura: Presença e
dominância nos quadriculados.
RESULTADOS
(A) Abaixo está indicado o número de
quadriculados por espécies em cada estação de coleta:
(A) Agora é determinar as espécies
dominantes em cada amostra (em amarelo na figura anterior) e determinar o número
de adaptação clímax.
Notamos que em cada estação de
coleta os dominantes são as espécies típicas daqueles ambientes, portanto
daremos um índice para cada espécie destas regiões em uma faixa de 1 a 10,
sendo que as espécies dominantes nos stands do Porto os menores valores e os do
stand da Figueira os maiores valores, pois é exatamente a distância do Porto
que caracteriza este continuum.
A partir da determinação destas
espécies características e dominantes em cada ponto de coleta, deu-se um índice
para cada espécie da seguinte maneira:
(C) Agora é calcular o Índice continuum
de cada amostra. Para isso utilizei:
CA: Cobertura Absoluta: Número de quadriculados em cada
amostra.
CR: Cobertura Relativa: Percentual do número de
quadriculados em cada amostra em quadrados com vegetação.
NAC: Número de Adaptação Clímax de cada espécie.
IVI:Valor de Importância de cada espécie na amostra =
CA+CR
Indice Contínuum: Somatório Total de IVI.
Veja o
exemplo abaixo:
AMOSTRAS ESTAÇÃO PORTO
AMOSTRAS DA ESTAÇÃO CONTORNO
AMOSTRAS DA ESTAÇÃO FIGUEIRA
Agora é só
ordenar as amostras de acordo com o seu INDEX CONTINUUM (IC), conforme exemplo
abaixo:
Não estão
contempladas todas as espécies, apenas algumas espécies típicas de cada estação
amostrada foram apresentadas. Nota-se, porém que estão ordenadas de forma
crescente de Índex continuum (segunda coluna).
O próximo passo é padronizar o espaço que
separa as amostras já ordenadas pelo IC. Neste caso padronizaremos a cada 50
unidades de IC, conforme exemplificado abaixo:
Agora é
calcular a média de cada espécie dentro de cada stand de acordo com os valores
em cada amostra já ordenada por IC. Veja como ficariam as primeiras espécies:
Ao postar
os valores encontraremos curvas como a abaixo demonstrada, referente aos
valores para Enteromorpha sp:
Para dar a idéia
de continuidade e suavizar a linha os valores são “amortizados” utilizando-se a
fórmula abaixo:
Onde:
B=
Valor amortizado do stand principal
n1 e
n3 = índice continuum dos stands vizinhos ao stand principal
n2 =
índice continuum do stand principal
a e c
= média do valor de importância dos stands vizinhos
b=
média do valor de importância do stand principal.
Com estes valores o traço da curva fica
mais definido e dentro da proposta continuísta.
Abaixo estão postados os valores finais, já
amortizados para as espécies principais das amostras realizadas:
O
gráfico final está abaixo onde se observa um hiato entre as amostras entre o
Porto e o Contorno. O mesmo não acontece entre o Contorno e a Figueira, onde tiramos
a conclusão que a 2 km do Porto ainda encontramos situações próximas das
regiões não atingidas pela poluição.
Outros, muitos outros aspectos podem ser
discutidos a partir deste gráfico que encontramos nas referências ao final deste
manual.
Todos
os procedimentos podem ser trabalhados utilizando-se uma planilha de cálculo já
que as fórmulas são muito simples e as decisões mais importantes partem da
sensibilidade do pesquisador, ao contrário dos pacotes de ordenação onde todo o
processo fica a cargo do software.
REFERÊNCIAS
Curtis, J. T. 1955. A Prairie Continuum in Wisconsin.
Ecology 36:558–566.
Curtis,
J. T., and R. P. McIntosh. 1951. An Upland Forest Continuum in the
Prairie-Forest Border Region of Wisconsin. Ecology 32:476–496.
Peet,
Robert K., and Orie L. Loucks. 1977. A Gradient Analysis of Southern Wisconsin
Forests. Ecology 58:485–499.
Brown,
R. T., and J. T. Curtis. 1952. The Upland Conifer-Hardwood Forests of Northern
Wisconsin. Ecological Monographs 22:217–234.
Austin,M.P. 1985. Continuun concept, ordination
methods, and niche theory. Ann.Rev.Ecol.Syst. 16:39-61.
Austin, M.P. 1989. A new model for the continuum
concept. Vegetation. 83:35-47.
Austin, M.P. 2002. Spatial prediction of species
distribution: an interface between ecological theory and statistical modeling.
Ecol.Moddelling. 157:101-118.
Austin, M.P. and Gaywood, M.J. 1994. Current
problems of environmental gradients and species response curves in relation to
continnum theory. Journal Veget. Sci. 5:473-482.
Austin,M.P. 1987. Nodels for the analysis of
species response to environmental gradients. Vegetatio. 69:35-45.
Austin, M.P. 1991. Vegetation theory in relation
to cost-efficient surveys. In Margules, C.R. & Austin,M.P. Nature
conservation: cost effective biological surveys and data analysis.
Austin, M.P.; Nicholls,A.O.; Doherty, M.D. and
Meyers, J.A. 1994. Determining species response functions to an environmental
gradient by means of a B-function. Jour.Veget.Sci. 5:215-228.
Austin, M.P. 1999. The potential contribution of
vegetation ecology to biodiversity research. Ecography. 22:465-484.
Austin, M.P. Vegetation and environment:
discontinuities and continuities. In van der Maarel(Ed).
Vegetation ecology. Wiley and Blackwell.
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