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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

População de Asparagopsis taxiformis em costões do sudeste brasileiro

             Vejam os aspectos de uma população de Asparagopsis taxiformis no costão à leste da Praia da Figueira em Angra dos Reis (RJ).
              Percebam a presença também de Caulerpa racemosa, Canistrocarpus cervicornis, Padina sp, além de diversas espécies de coloridas esponjas.
              Embora o local já apresente uma certa concentração urbana, o mesmo ainda mostra uma comunidade de costão um tanto quanto preservada, mas já se faz sentir pela ausência das densas populações de Sargassum e Gracilaria, comuns em ambientes naturais desta região.






sábado, 24 de setembro de 2011

Abaixo apresento algumas excicatas do meu herbário particular com estas belezinhas coletadas aqui no sudeste brasileiro.
Este exemplar foi coletado na Ilha de Itacuruçá, Sepetiba (RJ) em 28/07/1981.

Este foi coletado na Praia da Figueira, Angra dos Reis (RJ) em 29/07/1981.

Este foi coletado na Praia de Camorim, Angra dos Reis (RJ), no mesmo dia.

Este foi coletado na Praia de Jaquacanga, Angra dos Reis (RJ) também no mesmo dia.


Aqui um exemplar da fase Falkenbergia, coletada na Ilha de Cabo Frio (RJ), em 31/03/1981.
Todas a disposição daqueles que as necessitarem.
Até a próxima.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Asparagopsis taxiformis


Uma bela tomada em um aquário mostra a exuberância desta espécie.

 Video capturado em  http://coralmorphologic.com/b/2010/01/31/purple-forest
podendo ser encontrado também no Youtube:  http://www.youtube.com/watch?v=_ZyyWUoMlgo 

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Asparagopsis taxiformis

Vou iniciar este blog com uma espécie que é uma saga ficológica, pois envolve muitos nomes importantes dentro da ficologia quanto ao seu incrível ciclo de vida, assim como o seu possível comportamento bioinvasor e das possibilidades de utilização dos compostos químicos produzidos por este organismo.
                             Fonte: http://www.coralreefecosystems.org/index.php?page=photos

O ano era 18401, o pesquisador já tinha participado da invasão de Napoleão ao Egito com apenas 14 anos, foi médico e cirurgião e aos 48 anos reformou-se e passou a estudar os organismos criptogâmicos (na época, o conjunto de musgos, algas, liquens e fungos), tendo trabalhado inclusive com material oriundo do Brasil, a partir de coletas de Saint Hilaire2. Estou falando de Jean Pierre François Camile Montagne3. Nesta data foi descrito o gênero a partir da espécie A. delilei.


Hoje são conhecidas e aceitas nove espécies (além de dois nomes infraespecíficos) de Asparagopsis 4.
        O ciclo de vida das espécies deste gênero foi relatado pela primeira vez pelo casal Feldmann: Jean e Genevieve em 19395. O Professor Jean Feldmann foi o primeiro presidente da Sociedade Internacional de Ficologia (IPS). O casal descobriu que a espécie Falkenbergia rufolanosa era na realidade a fase esporofítica de Asparagopsis armata, plantas com morfologias muito diferentes entre si (ver figuras abaixo) 6.

O ciclo da espécie aqui contemplada, foi completado por Chihara (1961) 7 no Japão e com Rojas (1982)8 na Venezuela.
O ciclo de vida de vida é do tipo trigenético heteromórfico9 e poderíamos exemplificá-lo no esquema abaixo:


Aspargopsis taxiformis é encontrada no Brasil e já foi citada para vários locais de nossa costa10:
        Além de muitos outros.

Asparagopsis armata assim como seu esporófito (Falkenbergia rufolanosa) são citadas como bioinvasores em vários locais do planeta no clássico livro de Charles Elton (1958) 11, e o próprio autor cita textualmente:

                “There is one other species of Asparagopsis
 that has a world-wide distribution in tropical
 oceans, but this may be natural.”

        Poderia ele estar se referindo a Asparagopsis taxiformis, no entanto não ficou claro...
       
        Recentemente, coletando em Angra dos Reis, encontrei uma grande floração desta espécie e ao coletá-la, sofri uma crise de alergia pelo contato com esta alga. Não muito tempo atrás, tinha sofrido uma crise também com uma bolsa que recebi em um congresso lá em Santos... a bolsa tinha a mesma cor da Asparagopsis... aquela cor vinho característica da Asparagopsis brasileira. Portanto, cuidado também!
        Em uma pesquisa antiga que realizei na mesma área, conclui que a presença de Asparagopsis taxiforme como epífita em Avrainvillea elliottii apresenta uma fico-comunidade com maior diversidade (Número médio de espécies), conforme os gráficos abaixo indicam.

Estudos12 indicam que a presença de espécies produtoras de metabólitos secundários fomenta a diversidade biológica nos locais onde vivem.

Muitas informações são encontradas quanto aos metabólitos produzidos por espécies de Asparagopsis, tais como:

  1. McConnell,O. and Fenical,W. 1977. Halogen chemistry of the red alga Asparagopsis. Phytochemistry. Vol 16:367-374.

b.       Andreakis,N. Et al. 2007. Phylogeography of the invasive seaweed Asparagopsis (Bonnemaisoniales, Rhodophyta) reveals cryptic diversity. Molecular Ecology. Vol.16:2285-2299.

  1. Chualáin, F.N. et al. 2004.The invasive genus Asparagopsis : Molecular systematics, morphology, and ecophysiology of Falkenbergia isolate. J.Phycology. vol.40:1112-1126.
  2. Genovese,G. Et al. 2009. The Mediterranean Red Alga Asparagopsis: A Source of Compounds against Leishmania. Mar.Drugs. vol.7:361-366.


REFERÊNCIAS

*1. Montagne,C. 1940. Phytografia canariensis. In: Webe,P.B. et Berthelot,S. Historie naturelle des Iles Canaries. T.33, Paris.
*2. Montagne,J.F.C. 1939. Cryptogamae Brasilienses seu plantae celulars quas in itinere per Brasilian a celeb. Auguste S. Hilaire collectas recensuit observationisbusque ilustravit. Ann.Sci.Nat.Bot.12:42-44, pl.1.
*5. Feldmann,J. et Feldmann,G.M. 1939. Sur le developpement des carpospores et l’alternance de generations de l”Asparagopsis armata. Compt. rend. Acad. Sc. T.208. Paris.
*6. Altamirano,M. et al. 2008. The invasive species Asparagopsis taxiformis on Andaluzian coasts: Reproductive stages, new records and invaded communities. Acta Bot. Malacitana. 33:5-15.
*7. Chihara, M., 1961. Life cycle of Bonnemaisoniaceous algae in Japan (1). Sci. Rep. Tokyo Kyoiku Daiq. Sect-B, 10:121-154.
*8. Rojas, J.J. et al. 1982. El ciclo vital "in vitro" del alga marina roja Asparagopsis taxiformis del Mar Caribe. Bol. Inst. Oceanogr. Univ. Oriente, 21:101-112.
*9. Yoneshigue-Valentim, Y. 2002. Ciclos de Vida de algas marinhas pluricelulares. In: Pereira & Soares-Gomes (org). Biologia Marinha. Cap. 4.
12. Pereira, R.C. 2002. Ecologia Química Marinha. In: Biologia Marinha. Pereira, R.C. & Soares-Gomes, A. (org). Ed. Interciência.
       
        Espero que tenham gostado do tema. Estou abrindo para outras discussões e sugestões. Juro que tentei ao máximo ser o mínimo acadêmico possível.
        Um abraço para todos.